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O Castelo de Vidro

imagem.dllUm livro autobiográfico geralmente relata histórias tristes. A maioria ou não tem final feliz ou fala de momentos de dor passados por seus personagens. O livro O Castelo de Vidro (Nova Fronteira, 368 páginas) não muda neste ponto, mas se diferencia pela forma como a historia é relatada.
Jeannette Walls é jornalista e já trabalhou em importantes jornais americanos como o US Today, estudou em uma boa faculdade e mostrou seu talento ainda pequena. Não é de se esperar que tenha tantas conquistas na vida, mas após ler seu livro, o leitor fica surpreso de ver como foi sofrido esse percurso.

O óbvio ao ler essa introdução é que este seja um livro de memórias. Mas com o passar das páginas, percebemos que a historia que Jeannette quer contar não é a dela, mas sim de seus pais e como eles a criaram. Uma foto do casamento deles (onde a família Walls finalmente passa a existir) é a abertura do livro, que logo em seguida faz um pulo de mais de vinte anos, o tempo necessário para que a autora explique porque este livro é escrito, e apesar de varias tentativas, Jeannette não conseguiu fazer com que seus pais deixassem de serem mendigos.

Não são mendigos por estarem já velhos, sem dinheiro e não ter onde morar, mas porque optaram viver assim. E nem mesmo os filhos conseguiram mudar essa situação. Chega a soar melodramático falar isso, pois não podemos crer que seres humanos aceitem viver de uma maneira que acreditamos ser tão humilhante e penosa, mas para chegar a este final houve um longo percurso que fez estas as conseqüências para tamanha resolução na vida deste casal, que a autora irá mostrar.

Jeannette começa a relatar a historia da família desde o momento que se lembra de algo, no seu caso quatro anos de idade, quando ela acaba ateando fogo em seu vestido e acaba no hospital com uma parte do corpo queimado. Daí em diante historia começa a se desenrolar de forma até mágica, escrita com os olhos de uma criança, que vê tudo maravilhoso e não existe desgraças, somente aventuras pela frente. Pode-se perceber que a autora tentou manter o brilho das lembranças ao escrever tentando manter o ego adulto, aquele que nos faz perceber como éramos ingênuos e, até mesmos, “cegos” nessa época. Nesta primeira parte tudo chega a ser mesmo uma aventura, nada é tão ruim ou desaprovador como imaginamos já que vemos pelo olhar de infantil.

A família Walls não tinha o habito de se manter fixa em um local. O plano era que o pai encontraria ouro e construiria um verdadeiro lar para eles no deserto feito de vidro: o castelo de vidro.  Por isso sempre mudavam de cidade, procuravam aventura, conhecer coisas novas e não se entediar permanecendo em um só lugar. Tudo era diversão e alegria. Essa era a parte sonhadora de uma criança que não percebia toda a verdade.

Aos poucos a personalidade da família vai se mostrando. A cada página virada, vamos conhecendo um pouco mais dos valores e da historia deles.  Jeannette teve o cuidado e ir contando aquilo que ouvia dos pais sobre a família, como se conheceram – a mãe, formada na faculdade e o pai da aeronáutica – seu casamento e como saiu a decisão de sair país afora sem emprego fixo e do modo que acreditavam ser o melhor para a criação das crianças.
Desde o inicio se percebe o conflito que a família tem de valores: alguns importantes outros completamente reprovados pelos conservadores. Um exemplo é o chiclete, goma que os Walls proibiam (e muitos dentistas aplaudiriam), mas que entra em conflito ao se permitir que crianças de quatro anos possam mexer com fósforos e cozinharem salsichas com apenas quatro anos (foi assim que a pequena Jeannette se queima como relatado acima).

A passagem de um mundo divertido para a vida real, onde a fome, o frio e os abusos se mostram claros, acontece progressivamente. O livro se torna angustiante em algumas páginas ao nos deparamos com tamanha dor diante dos fatos. Mas mostra também, em outras, que apesar da maioria dos cidadãos terem o critério de julgar e acusar aqueles que são diferentes do “normal” estipulado pela sociedade em geral: existem outros que se destacam e buscam quebrar paradigmas.
Nesta mudança, que às vezes chega a ser dramática, que transforma as personagens, pois é necessário crescer e ser independente, caso contrário não há esperança de mudança. É aqui que a jovem Jeannette, agora adolescente, mostra toda sua capacidade e inteligência ao decidir ajudar sua Irma a se mudar para Nova York e mudar sua vida. Após meses de luta e sofrimento diante dos problemas encontrados, o propósito é conquistado, não da forma como planejado, mas que mostra que a fé apesar de tudo deve ser mantida.

O castelo de vidro chega, às vezes, a se assemelhar ao clássico brasileiro Meu Pé de Laranja Lima, ao compararmos a dor que ambas as famílias passam, apesar de que Jeannette não sofreu tanto quanto a personagem do segundo livro. A diferença mais importante está no fato de que esta historia realmente aconteceu e que a autora e sua família conseguiram mudar suas vidas e, no final, terem um final realmente feliz, na medida em que o mundo permite. A oportunidade de ler o livro de Jeannette é poder saber como ela o fez isso ajuda o leitor a perceber como é importante uma boa educação e que podemos sim transformar nossa situação apesar dos problemas.

 Crendo ou não na inspiração divina das Escrituras, a maioria de nós livro_thumbaprendeu a ter a mesma impressão negativa e rígida sobre os Dez Mandamentos. Independentemente se seguimos ou não esses mandamentos, nós somos levados pensar ou de fato pensamos que a finalidade daquelas ordens é simplesmente a pura satisfação de Deus. Não conseguimos enxergar naquelas palavras um conjunto de sugestões e dicas que tornam a nossa vida melhor, e não a de Deus. Mas é exatamente essa a idéia principal do livro “Os dez mandamentos para uma vida melhor” (Thomas Nelson Brasil, Willian Douglas, 184 páginas). Mudar essa visão extremamente negativa dos mandamentos e refletir sobre os aspectos positivos deles é a proposta apresentada e desenvolvida ao longo do livro.

 Porém é inegável que aquele monte de “nãos” dificultam bastante essa tarefa. Fica difícil ter uma percepção positiva natural daquele monte de proibições. É necessário aprender a enxergar a essência positiva inerente a elas. Somente assim é possível deixar de ver essas regras como palavras que apenas nos limitam e passar a vê-las como palavras que ampliam nossa possibilidade de viver melhor. Ao longo da leitura, após mostrar a importância de compreender corretamente o propósito dos mandamentos de modo geral, o autor destaca por meio de exemplos, como quebramos os princípios dos mandamentos em diversas situações da nossa vida, e sugere também algumas atitudes e ações simples que podemos adotar para que o benefício de cada mandamento possa ser obtido por nós. Ele defende que os benefícios de seguir os princípios contidos nos mandamentos são proveitosos até mesmo para as pessoas que não são religiosas e tenta mostrar isso por meio de vários exemplos.

 De forma simples e sem pretensão esse livro ressalta que a sabedoria contida nos Dez Mandamentos é de extrema validade para uma sociedade secularizada e relativista como a nossa, porque nele é salientado o caráter universal que eles possuem. Basta ponderar sobre as dificuldades e problemas pessoais e sociais que vivemos ainda hoje, apesar de todos os avanços dos mais variados campos da ciência, para ficarmos mais cientes da importância dessas orientações bíblicas. Evidentemente que nos dias de hoje cogitar a aplicabilidade de textos bíblicos para a vida pessoal das pessoas parece algo pouco prático, além de ser um discurso atrasado para os que são avessos à religião. Mas apenas o preconceito de cada um é o principal obstáculo para que não se veja no mínimo a razoabilidade deles. Por isso não importa a diversidade de opiniões que temos sobre as orientações dos mandamentos. Todos nós temos a oportunidade de lançar um olhar mais cuidadoso e amplo sobre esse conjunto de orientações que resiste ao tempo.

http://www.thomasnelson.com.br/os10mandamentos/

Aconteceu na Manchete

Em 2008 se estivesse vivo, Adolpho Bloch completaria 100 anos. Para mancheterelembrar esse homem e a data (que seria mais bem celebrada se ele ainda estivesse vivo, claro) dois livros foram lançados: Os Irmãos Karamablock (sátira baseada no livro do autor russo Dostoievski e apelido de Adolpho e os dos irmãos dado por Otto Lara), escrita pelo sobrinho de Adolpho; e Aconteceu na Manchete.

Enquanto o primeiro conta a história da família Bloch (sim, caso não tenha certeza ainda, estamos falando dos donos da tão famosa revista e emissora Manchete), o segundo – que falaremos nesse texto – mostra o lado de como o grupo Bloch funcionava, contada pelos funcionários do editorial.

Fatos, situações que ocorreram, problemas, soluções, inovações, manchetes e grandes conquistas da revista são contadas aqui com saudosismo por aqueles que fizeram da revista um ícone importante por décadas. O livro está repleto de detalhes interessantes (e também importantes para a revista e o país), relatando detalhes que o leitor da revista não viu em suas páginas nos 40 anos que ela foi publicada.

Outro atrativo do livro está nos detalhes de informações e o acervo ilustrativo. Diversas capas, editoriais importantes que desencadearem vendas altas da Manchete e até as primeiras campanhas publicitárias da época são encontradas no livro. Outro ponto interessante é a diagramação: para interagir melhor com o leitor, ao lado de cada pagina está o Blog da Bloch, uma pequena área destinada a comentar algum ponto interessante sobre a capa de alguma edição, seja por o que acarretou após sua publicação ou a sua concepção.

Uma breve história da Manchete

A revista foi lançada por Adolpho Bloch em 1952, época que tinha na revista O Cruzeiro, de Assis Chateaubriand, um forte concorrente. O diferencial da revista estava em uma revista em cores (que naquela época era algo novo) e uma equipe forte com Rubem Braga e Carlos Drumonnd de Andrade. Aos poucos foi se consolidando no mercado e ganhando espaço e respeito com o público.

O sucesso da revista fez com que os Bloch criassem um império editorial, lançando não somente uma revista, mas diversas, cada uma com um conceito e publico definido. Algumas vezes títulos copiados do inglês (Pais e filhos, por exemplo, não estava ligada à famosa revista norte americana do seguimento familiar, o nome foi plágio feito pelo grupo Bloch), mas nem por isso tirava a qualidade do produto comercializado.

Outro braço nascido da revista foi uma emissora de TV: A Rede Manchete. Por muitos, tida como o motivo da falência da família Bloch, que passou a gastar a maior parte de seu dinheiro com emissora, deixando a revista em segundo plano. No entanto, a criação da revista Veja e outros fatores também criaram um ambiente que, aos poucos, trouxe o fim a revista (e também a emissora, que foi vendida posteriormente).

As historias que aconteciam na redação da revista, as discussões, amizades, decisões importantes decididas ali, mudaram a forma do país receber notícia e traz também uma idéia de como é o dia a dia da produção de uma revista semanal. Uma interessante leitura para quem estuda jornalista ou quem é leitor, que verá um outro lado das publicações que poucos têm o privilégio de participar.

Merillville, IN

Love Came Down Tour, a Christmas Pageant

14 de Dezembro 2008

 

pageant1Desde o primeiro show do Jars of Clay em Outubro de 2008, um sentimento de que eu já havia feito o que eu mais queria em minha vida me preenchia, mas eu sabia que aquele era apenas o primeiro e que eu precisava vê-los novamente, especialmente por ainda desejar ir a um show completo, em que eles eram a banda principal do evento.

As datas da Turnê Love Came Down foram publicadas poucos dias após o show de Kansas city e imediatamente, ainda que cheio de dúvidas, procurei saber onde seria o mais próximo de minha cidade. Merillville, IN estava apenas a 6h de viagem e eu teria bastante tempo para me preparar. O dia 14 de Dezembro estava próximo de meu retorno para o Brasil, então imaginei que seria perfeito para fechar o primeiro período nos EUA.

Todos estavam felizes com meu sucesso no primeiro show e, ainda bem, me apoiaram para tentar um próximo show. Incentivado, planejei tudo: viagem, ingressos, estadia, gastos. O tempo passou rápido, mas cada dia que passava parecia uma injeção de emoção, pois todos os meus amigos fãs do Jars estavam muito felizes por eu ter ido ao show anterior e com a novidade de que eu atenderia à turnê de Natal.

Em Novembro a banda também estava agendada para tocar em Nashville, TN, no Americana Folk Fest. Eu estava tão empolgado por poder decidir ir a um show e ter condições intelectuais para fazer isso sozinho, que quase fui ao show de Nashville, em vez de ir ao show de Natal, mas algo foi decisivo para que eu mantivesse a minha decisão de ir a Merillville: Sixpence None The Richer.

Fã insano da banda SNTR também, eu não poderia trocar um show completochicago1 do Jars of Clay com eles, por uma apresentação menor em Nashville, em um festival de Folk, onde muitas outras bandas dividiriam o tempo com o Jars. Convicto e ainda mais empolgado, todos os meus amigos já sabiam de minha nova aventura e também me encorajaram muito, não apenas fãs do Jars, mas agora fãs do Sixpence também. Vários de nós tentávamos imaginar como seria o momento em que eu conseguiria conversar com eles (Jars/ 6p), perguntas, dúvidas, pedidos, fotos, vídeos, autógrafos etc. A espera foi quase tão emocionante como o grande dia, que finalmente havia chegado.

Conforme planejado, agendei viagem e hotel e já tinha o ingresso em mãos. Deixei minha casa bem cedo no Sábado e, como da primeira vez, caminhei até a estação, peguei o metrô e desci na estação de onde eu partiria para Chicago. O clima já estava bem frio, portanto eu estava levando alguns casacos. Em minha mochila eu tinha, entre outros objetos importantes, cds e livro do Jars of Clay e cds do Sixpence, meus e de meus amigos, para quem eu havia prometido conseguir autógrafos. Tomei o trem para Chicago, que percebi que é uma cidade belíssima, mesmo tendo visto pouco, apenas em volta da Union Station.

Em Chicago estava muito frio, havia nevado há poucos dias e estava chovendo naquele Sábado, portanto fiquei dentro da estação a maior parte do tempo, esperando pelo meu trem que me levaria a uma cidade próxima a Merillville, chamada Dyer. Desde que saí de casa, eu contava a todas as pessoas que conversavam comigo, que eu estava indo ao show de 2 de minhas bandas favoritas e, muito empolgado, acabava empolgando a quem me ouvia também.

Cheguei a Dyer bem tarde e, como era de se esperar, a estação era deserta, não havia pessoas, nem carros nas ruas e estava chovendo para piorar. Fui a um restaurante e pedi à garçonete que chamasse um táxi para mim. Esperei uns 40 minutos e o táxi chegou e fui para o hotel, próximo ao Star Plaza Theatre, estrategicamente, pois no dia seguinte, eu queria chegar bem cedo ao teatro. Já instalado, planejei novamente o dia seguinte em minha cabeça e peguei no sono. Acordei cedinho e coloquei tudo que eu queria levar na mochila, mas não estava agasalhado o bastante. Em Merillville havia um restinho de neve ainda no chão, logo o clima estava bem frio. Do hotel ao teatro, eu tive que caminhar apenas 200m, assim que cheguei à rodovia entre o hotel e o teatro, avistei o letreiro que dizia, HOJE A NOITE, LOVE CAME DOWN… e já corri loucamente, atravessando a rodovia e me assentei em frente ao letreiro para tirar fotos. O letreiro informava o show do Jars of Clay, Sixpence, Leeland e Sara Groves. Meu coração já não cabia em mim.

Era apenas 10h da manhã e depois de dar algumas voltas em torno do teatro, onde mais ninguém estava, comecei a usar um pouco da razão e decidi ir a uma lanchonete, para fazer um lanche, pois eu ficaria ali o dia inteiro, no frio, caminhando e passando por momentos de muita emoção. Da lanchonete liguei para minha mãe e conversamos por 1h. Minha amiga das Filipinas me ligou e disse que estava a caminho de Merillville, pois ela ia ser voluntária na mesa do Blood:Water Mission e tinha que chegar mais cedo. Combinamos de almoçar juntos quando ela chegasse. Depois de lanchar e esperar muito em volta do teatro, sem sucesso de ver as bandas por lá, apenas os ônibus, decidi voltar ao hotel e pegar mais um casaco. Chegando lá, a Tabz me ligou, dizendo que havia chegado e estava me esperando no restaurante TJ Maloney’s do Hotel Radisson, ao lado do teatro. Pela segunda vez, comi bastante ali e foi muito legal conhecer a Tabz pessoalmente, falamos muito sobre a banda. Eu falava bem mais, pois estava muito empolgado, aquele era talvez o 10º show do Jars que a Tabz estava indo. Ela havia comprado o ingresso dela antes de mim, portanto tinha um assento melhor, primeira fila, na área VIP, o meu era quarta fila da área VIP, coluna do meio, bem em frente ao palco. Visto que ela iria ajudar na mesa do BWM, ela me deu o ingresso dela, pois voluntários podem se assentar onde quiserem e podem conversar com a banda no final (snif). Fiquei muito feliz por ter conseguido um lugar melhor ainda, que também era na coluna do meio.

Ela voltou para o hotel e eu continuei em volta do teatro, a tarde inteira, mas não vi ninguém, apenas, acredito, o pessoal do Leeland e ajudantes das outras bandas, que entrava em saiam dos ônibus. O Aaron também apareceu. Eventualmente, eu entrava na bilheteria para me aquecer, pois o frio estava de matar, estava muito abaixo de 0ºC e eu já nem sentia meus pés. Os voluntários chegaram e tiveram acesso ao teatro. O staff do BWM e dos merchandisings das 4 bandas já estavam montando as mesas. Visto que o show começaria às 7h, os portões se abriram às 6h. Entrei com alguns fãs que conheci do lado de fora. As pessoas começaram a chegar organizadas, aos poucos.

Fiquei louco quando comecei a ver os produtos na mesa, comprei alguns cds, pen-drive, um song-book, pôsteres e dvd do Jars, camisa do SNTR, fotos da turnê etc. Conversei com o staff do BWM, que amou a camisa que eu estava usando e ficou feliz com a notícia da caminhada/ encontro de fãs em Brasília, para ajudar o projeto, junto com o Take the Walk do Hanson. Prometeram me dar alguns materiais para usarmos no encontro, ao final do show. Imediatamente me informei sobre a programação, primeiro o Leeland tocaria, depois Sixpence e depois a Sara e após os 3 shows, as bandas dariam autógrafos na recepção. Localizei meu assento, que era ao lado de uma das fãs que conheci antes de abrirem os portões.

6p1

Anunciaram o começo do show e todos já estavam em palco, com as luzes apagadas. Já era possível ver todos nitidamente. A primeira música foi cantada pelas 4 bandas juntas, “Angels we have heard on High”, do cd “The Dawn of Grace” do 6p. Já foi o bastante para tirar o fôlego, vendo o 6p ao lado do Jars e de outras duas bandas, que apesar de não conhecer muito, já eram muito interessantes. Havia muita harmonia entre eles e a música preencheu o Star Plaza. Todos se retiraram, exceto o Leeland. Eles não tinham um cd de natal lançado ainda, portanto tiveram que usar o repertório normal da banda, com exceção da primeira música que cantaram, que foi “The First Noel”. Gosto muito da melodia dessa música e na voz de Leeland, ficou excêntrica, com instrumental mais vivo, mais enérgico. Eu não conhecia bem a banda, ouvi algumas faixas dias antes do show e, como não era se duvidar, era uma boa banda, com músicos novos de muito talento e principalmente, muito carisma e muita humildade. Não anotei o repertório deles, principalmente por não saber o nome das músicas, mas me lembro que cantaram “Opposite Way” e “Count me In”. A cada faixa Leeland ou seu irmão, Jack, falava algo relacionado à letra da música, o que super valorizou o tempo que eles tiveram ali. Aplausos para o Leeland, eles me marcaram com a atitude deles naquela noite.

O grande momento estava por vir. Leeland se despediu e o 6p estava se preparando. Apenas Matt Slocum e Leigh Nash em palco, para cantarem a primeira faixa, “O come o come Emanuel”, linda e exótica, para dar o clima natalino necessário, porém muito elegante com a performance da banda. Matt nunca falava, tônico nos instrumentos, porém átono no comportamento, deixando por conta da Leigh, naturalíssima e bem humorada, o contato com o público. Steve e Charlie entraram no palco, para acompanharem a dupla (eles nasceram um pro outro). Steve estava com uma espécie de guitarra que se toca na horizontal, usando algum objeto e Charlie estava no piano. Os quatro emocionaram com “River” e na seqüência tocaram “The Last Christmas”, escrita pelo Matt, sobre seu primeiro filho. Depois disso, a Leigh brincou e disse que o clima ficaria mais animado com a próxima música, pois até então todos estavam bem silenciosos e atentos às faixas tocadas. Apenas Matt e Leigh ficaram em palco, para cantarem “Christmas for two”, que foi o melhor momento do show para mim (literalmente para mim). Primeiro porque todos adoraram a letra e riam com cada frase e gracinhas que a Leigh fazia. Segundo por eu ter ficado completamente apaixonado pelos dois ali juntos e assim que ela terminou de cantar o refrão, eu já não me segurava mais, no meio da segunda estrofe, todos calados, eu gritei para a banda “I looooooooove you” e no mesmo segundo, a Leigh começou a rir, engasgar, tossir, errar a letra e o Matt ria da situação e todos voltaram para o lugar onde eu estava e apontavam dedos e riam, quando a Leigh conseguiu retomar a letra perdida e todos aplaudiram o momento de interação e eles encerraram o show. Fiquei com muita vergonha por ter atrapalhado a música. Tirei muitas fotos durante as músicas.

Finalmente veio a Sara Groves e fez um show fenomenal, íntimo e maduro. Houve um momento em que ela descontraiu mais e cantou uma faixa original super divertida de seu cd “O Holy Night”, chamada “Toy Packaging”, sobre o que não dar de presente, no Natal. Foi lindo quando ela cantou ao piano, a faixa “To be with you”, uma de suas canções originais, sufocante! Houve um momento muito especial, em que seus filhos Kirby e Toby entraram e cantaram com ela. Seu marido, além de gerente, toca como um dos instrumentistas da banda, logo, estava tudo em família.

Antes do final da última música, saí correndo para fora do teatro, pois sabialeighandme que eles iriam lá, para a sessão de autógrafos. Esperei por 5 minutos e de repente, Leigh Nash estava passando do meu lado, na direção da mesa de autógrafos. Eu não conseguia acessar qualquer reação previsível, só tinha forças pra me manter atento e não apagar na hora. Tentei preparar a câmera para tirar fotos, mas dava tudo errado, a Leigh percebeu que eu estava focalizando nela e sorriu. Eu estava todo desengonçado e uma funcionária começou a gritar “Ele é super fã seu, foi ele que gritou lá dentro e ficou esperando do lado de fora desde cedo, no frio, congelando etc”.

Ela sorriu de novo (na verdade ela nem parava de sorrir) e chegou perto de mim, me agradeceu e eu nem sabia o que dizer, só que eu tinha cds para ela autografar e que eu precisava contar a ela sobre nosso encontro de fãs. Ela me levou para mais perto da mesa, quando eu disse “Eu sou do Brasil” e ela brincou “Sério? Eu sou do Texas”, eu morri de amor na hora. Pedi desculpas por ter atrapalhado o show e ela perguntou: “Por quê? Não tem problema, eu amo quando acontecem essas coisas, sempre acontece, muito obrigada”. Ela perguntou se eu queria uma foto e eu passei a câmera para a menina que disse que eu era fã, mas as duas primeiras tentativas deram errado e a Leigh conferia e dizia “Não tem problema, vamos tentar outra, até ficar boa”.

Nesse momento eu percebi que a fila já estava grande e a Leigh e eu estávamos atrasando o processo dos autógrafos. A ficha caiu e fomos pra mesa, após ter conseguido a foto. Ela agradeceu várias vezes e eu disse que mais tarde contaria a ela sobre o encontro. Tirei da mochila o “Dawn of Grace” da Jenny e da Júnia e o “Fauxliage” do Renato, pedi a ela para autografar e mostrei o nome dos três. Ela conferia os nomes, lia com sotaque e assinava. Tirei meus cds e pedi a ela para assinar também, disse meu nome e ela assinou os cds e minha camisa por último. As pessoas ficaram irritadas com a demora e perguntaram se eu iria pegar autógrafos dos outros artistas em todos aqueles cds e eu disse que era apenas da Leigh Nash. Agradeci muito e continuei. Matt não saiu para dar autógrafos.

leeCumprimentei a Sara e pedi a ela para me dar um autógrafo, elogiei o show, mas eu não tinha muito o que comentar com ela. Os caras do Leeland estavam olhando para mim com uma cara de felicidade tão grande, eu nem sabia o que dizer, comecei a descer uma cachoeira de frases sobre eles terem muitos fãs brasileiros e sobre a urgência de eles fazerem uma turnê no Brasil. Peguei autógrafos de todos, tirei fotos, comentei do show e fui muito, muito bem recebido por eles. São fantásticos e mega simpáticos! Sai da mesa até tonto, com os cds na mão, arrumando tudo euforicamente, para não perder nada.

Enquanto as demais pessoas passavam pela mesa, eu ficava ali, besta, admirando a Leigh Nash e tirando fotos e conversando com algumas pessoas que vieram me fazer perguntas sobre mim, sobre o Brasil etc. Eu não conseguia sair de perto da mesa, só voltei pra dentro do teatro quando ouvi que uma música familiar estava tocando lá dentro, “God rest ye merry gentlemen”, saí como um foguete descendo a rampa do teatro e tomando o meu lugar lá na frente. Era o Jars of Clay tocando e o Matt Slocum no Cello, perfeita combinação. O tempo todo havia vídeos entre uma faixa e outra, sobre pessoas ligadas ao BWM, sobre os lugares atendidos, sobre a necessidade do apoio das comunidades nos EUA, para levar o projeto e esperança adiante, por aquelas pessoas. Os temas giravam em torno de usarmos as bênçãos que recebemos de Deus e as estendermos às pessoas necessitadas. A segunda música foi “Wonderful Christmas Time” e eles brincaram com o público, desejando feliz natal às pessoas de Indiana e de Illinois, criando duas torcidas que vibravam quando ele chamava seu respectivo estado. Na hora a moça que estava do meu lado me disse “E o pessoal do Brasil?”, então pensei em berrar, mas era tarde, eles estavam prontos pra cantar “Hybernation Day”.

Imediatamente liguei a função vídeo da câmera, quando o Dan convidou a Leigh para entrar e cantar com ele os vocais que originalmente são de Christine Dente. A fórmula ficou super legal, pois a Christine faz vocais dandrumaveludados e sexys e a Leigh, quase que de propósito, parece uma menininha cantando. Para completar o clima de colaborações, Matt tocou cello novamente para o Jars, na música “O Little Town of Bethlehem”. Mais um vídeo foi rodado no telão, enquanto Dan se preparava no piano. Este foi um momento sem preço, Dan tocando piano e cantando “Winter Skin”, enquanto Matt Slocum oferecia seu toque mágico de violão cello, único. Todos voltaram ao palco, tomaram suas posições e o clima ficou sério, Dan começou a falar sobre escolhas e como muitas músicas o marcaram, mas que eles cantariam a música mais importante da vida deles. A seriedade foi quebrada no primeiro verso de “Christmas, Please Don’t Be Late”, porém sua voz estava alterada, parecida com a voz dos Chipmunks. O público insano dava gargalhadas de morrer. Esses momentos de loucura dos shows do Jars são impagáveis!

Muito descontraído, Dan apresentou uma canção que para ele tem um sentido bem particular, dessa vez ele estava falando sério. “Christmas for Cowboys”, do John Denver, segundo ele, é uma canção da qual ele nunca se esqueceu e que está entre suas preferidas há muitos anos, mesmo não sendo exatamente o tipo de música que ele mais ouve (country). Foi um presente para os fãs, este é um dos covers que o Jars fez, que eu mais amo. Como não poderia deixar de ser, Sixpence voltou ao palco, a convite do Dan, para cantar um dos grandes clássicos de natal de todos os tempos. “Silent Night”, do cd “The Dawn of Grace” do Sixpence, era uma das mais esperadas da noite, visto que o Dan contribuiu com letras originais para a canção gravada para esse cd. Leigh e Dan cantam simultaneamente letras completamente diferentes, Leigh com a letra clássica, Dan com sua adição contemporânea, mas que encontram sua conexão nas vozes que são sempre muito íntimas e esse encontro perfeito dos dois já é familiar para os fãs. Para quem conhece e ouviu repetidas vezes a faixa no cd, a impressão ao vivo é que eles se perdem um pouco, mas bem sutilmente.

Como se já não bastasse esse dueto perfeito, Sara volta ao palco para cantar “It came upon a midnight clear”, uma das faixas de seu cd de natal, que também é um clássico, porém com uma melodia nova, fresca, linda. Dan apresentou Sara como uma de suas artistas preferidas deste tempo, com talento para fazer músicas que marcam e não são do tipo vazio e descartável que hoje é muito comum. Segundo Dan, eles fazem pelo menos um cover da Sara nos finais de semana, em sua congregação. Na sequência, todos se retiraram, apenas o Dan retornou com um saco vermelho e com uma mensagem delicada sobre dar um pouco daquilo que você tem, a quem necessita, apoiando o Blood:Water Mission, que para ele, era a principal razão daquele show e daquela turnê. Nesse mesmo contexto, ele comentou sobre paz em nossos dias e a próxima música não poderia ser outra, senão “Peace is here”, também original da banda.

“Drummer Boy”, clássica do catálogo de canções natalinas e muito popular e querida entre fãs do Jars, já anunciava o final do show e contou com a presença do percussionista do Leeland, Mike Smith. Esse também foi um dos pontos altos do show, quando Dan comove não só no vocal, mas com sua colaboração nos tambores também. Fim do show, houve uma pausa para outro vídeo do Blood:Water Mission, antes de um encore muito digno que, depois de toda a agitação de “Drummer Boy”, foi o momento certo para acalmar o clima no palco.

Matt retornou para tocar seu violão cello e Sara introduziu “I’ve heard the bells on Christmas Day”. Pouco a pouco, os músicos das outras bandas começaram a tomar seu lugar no palco, quando todos, com menos acompanhamento instrumental, cantaram juntos “O come let us adore him”, em um momento de liberdade e adoração. Eles anunciaram o final daquela noite de comunhão entre as bandas, descontração, risos e emoções, agradeceram e saíram de palco.

Eu levantei e em vez de sair do teatro, fui para a frente do palco, para observar o que iria acontecer, pois eu não tinha certeza se a banda sairia para dar autógrafos. Todos estavam conversando numa sala ao lado do palco, aproveitei para pegar o set-list que o Dan usou. Pedi ao segurança os demais papéis que estavam lá, mas ele se recusou a me dar. Sem problemas, continuei esperando, quando disseram que todos deveriam sair, enrolei e vi que o Dan estava saindo da sala, subi para a última fila de cadeiras e eles já estavam vindo em minha direção. Eu não sabia se eu esperava, ou se corria para fora. Sai ao mesmo tempo que eles, porém por uma porta ao lado da que eles saíram, o que me colocou bem atrás deles, mas me adiantei e o Dan passou, depois o Steve. Eu não estava com pressa mais, chamei o Matt, ele não ouviu, então Charlie passou e eu o chamei. Ele se virou e voltou para falar comigo. Ele ficou surpreso e feliz por eu ter ido, como havia prometido. Perguntei se eles estavam indo embora, ou se iriam dar autógrafos, ele confirmou que ficariam ali ainda, para a sessão de autógrafos e fotos, como ficamos conversando, a fila já havia começado. Não me importei, tomei meu tempo, para organizar meus cds, livros etc e esperei.

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Não peguei a fila, fui direto ao Dan na primeira oportunidade e conversamos sobre eu ter conseguido ir de novo. Eu estava bem mais seguro e entreguei a ele dois cds e o livro “Peace is here: Christmas Reflections”, lançado em 2007 com o cd “Christmas Songs”. Dan assinou, sorrindo, agradecendo e eu já passei tudo para o Matt, que trocou algumas palavrinhas comigo. Falei sobre a Sammy (^^) para ele, disse que ela o amava demais. Enquanto isso o Dan assinou o set-list que eu peguei e o Matt também. Passei tudo para o Charlie, continuamos o papo sobre minha ida e o Steve estava muito mais comunicativo dessa vez e já assinou tudo também e eu recolhi os materiais e saí de lá agradecendo, dizendo que os amava e literalmente quicando. Que vergonha! Fiquei plantado ali na frente, esperando as pessoas passarem, tirando fotos e conversando com o staff do teatro sobre mim, todos estavam curiosos sobre o brasileiro fã da banda, que ficou no frio o dia inteiro. As pessoas começaram a tirar foto e eu pensei “também quero” e pedi ao Charlie para tirar uma foto. Ele me chamou de volta na mesa, furei a fila e fui tirar a tão sonhada foto, nesse momento ele falou entre os dentes “Juca, muito obrigado por ler o blog”, e eu respondi “De nada, o blog é muito legal, estou amando”.

A foto foi batida, sai novamente e fiquei ali, conversando com duas fãs de Leeland que haviam perdido a sessão de autógrafo e não conseguiram o autógrafo deles. Percebi que elas ficaram tristes e dei a elas o meu autógrafo que peguei da banda, tiramos uma foto e conversamos sobre minha aventura de sair de Illinois, para ir a um show do Jars e Sixpence (de brinde ainda ver Leeland e Sara). Fiquei dando voltas e a fila ficava cada vez menor, não dei uma de mala de novo, não entrei na fila pela terceira vez. Aproveitei para pegar os materiais do BWM com a Kelly, esposa do Lutito. Ela e o carinha da mesa me encheram de materiais do projeto, inclusive o dvd.

O tempo todo eles viam que eu estava ali ainda esperando e davam um sinalzinho com um sorriso. Muito pentelho! Finalmente, sobraram só o Jars e os voluntários do BWM, como um deles era minha amiga, eu pude ficar perto do grupo, enquanto eles agradeciam pelo trabalho dos voluntários e tiravam fotos. A Tabz me pediu para bater a foto dela com eles, claro que aceitei na hora, zoando demais. Eles se despediram de nós, agradeci de novo, me despedi e eles saíram do hall. Apenas Lutito ficou lá. Dessa vez foi o Gabe que não apareceu. Conversei com o Lutito e com a Kelly de novo, agradeci pelos materiais, tirei fotos com o Jeremy, que ficou muito feliz pelo apoio à Disappointed by Candy. Ele disse que na próxima turnê, eles devem abrir os shows do Jars, portanto terão os cds à venda na mesa de merchandising. Pedi a ele para entregar ao Dan, o cd que gravei com canções do João Alexandre, como presente do FC Earthen Vessels, pois eu havia esquecido de entregar pessoalmente. Todos já haviam saído do hall, fiquei sozinho, com a organização do teatro, esperando minha carona para o hotel. Voltei para Illinois no dia seguinte com um sentimento tão grande de realização e saudade. Em poucos dias voltaria para o Brasil, não teria tempo de compartilhar devidamente fotos, vídeos, escrever esta resenha, mas mesmo depois de quase 2 meses, todas as memórias estão bem acesas em mim e não vejo a hora de poder encontrá-los novamente este ano. “The long fall back to Earth” será uma nova fase, novos shows e novas emoções.

 Por Juca de Barro, do blog http://www.clayheart.blogspot.com/.

Depois da turnê de Natal “Love Came Down: A Christmas Pageant” e dos feriados, Jars of Clay vai dar os últimos toques no cd “The Long Fall Back to Earth,” seu próximo CD de estúdio, que deve sair em Abril de 2009. Como tecladista da banda, Charlie tem uma participação mais proeminente.

“O cd realmente tem mais texturas de sintetizadores, certamente mais que estamos acostumados,” ele disse. “Nós buscamos influências principalmente em nossas raízes dos anos 80 — INXS, Tears for Fears, The Cure. Foi um tempo muito divertido em busca dessas atmosferas.”

Outras influências:

- Lykke Li
- Submarines
- Brooke Waggoner
- Gemma Hayes
- Lisa Hannigan
- Depeche Mode
- Keane

A nova música “Hero” aparecerá nas propagandas do seriado “Kings” da NBC, um drama com Ian McShane que deve estreiar em Março de 2009 depois do encerramento de “E.R.”.

“Este será um momento legal de preparação para o novo cd,” diz Lowell.

Este ano, o Jars of Clay celebrará seu 15º aniversário, um número que Charlie pensa ser até difícil de se acreditar. Depois do hit “Flood” — que os lançou ao estrelato em 1995 — eles decidiram ser eles mesmos, em vez de se preocuparem com as expectativas do rock secular ou cristão.

“Foram anos meio malucos, tentando entender quem éramos e a quem deveríamos ouvir,” disse Lowell. “Foram várias vozes diferentes gritando com a gente sobre quem deveríamos ser. Em algum lugar da estrada, você tem que encontrar sua voz autêntica e o que te deixa mais feliz,” ele acrescenta. “Você não pode agradar a todos. É sempre ruim se você faz isso, ou aquilo, portanto decidimos fazer o que amamos e de alguma forma, alguém vai nos apoiar.”

A data já está na lista de cds para 2009, no site do JFH, porém sem dia exato. O título fora levantado no verão americano, como uma das propostas, agora está oficializado.

A data talvez seja dia 7 de Abril, o que em inglês seria April 7th (4/7), que é o dia não oficial do Jars of Clay, já que brinca com os números 4:7 (versículo da carta aos Coríntios, que originou o nome da banda).

Não se tem notícias ainda sobre o novo single, quem sabe Heaven?

“Safe to Land”, do EP Closer, provavelmente estará no cd, já que seu título saiu da letra dessa música.

Charlie disse que o cd vai ter 14 faixas, de uma lista de até 18 canções que consideraram interessantes de serem gravadas.

“É difícil dizer como o cd está, pois muda dependendo de cada música que acrescentamos ou deixamos para fora do pacote. Tudo que sei é que estou amando até então e cada uma das músicas tem desafiado a banda musicalmente. Estamos entrando em alguns dos temas iniciados em “Good Monsters” e forjando o cd em direção a áreas ainda não exploradas também. Alguns dos sintetizadores legais que usamos (para os fãs de sintetizadores dos anos 80) são: Roland: Jupiter8, Korg D-10, Oberheim Matrix6, Sequential: Prelude, muitas baterias, Yamaha CP-70 etc. Começamos a mixar o segundo lote de músicas com o Jay Ruston, nosso bom amigo que mixou boa parte de Good Monsters e nosso parceiro no crime e na arte, Vance Powell… (que está fresquinho, pois acabou de gravar a música tema do último James Bond … sim o tema de Jack White/Alicia Keyes.). Nossa amiga Katie Herzig foi convidada para cantar em algumas faixas, inclusive em “Headphones,” da qual alguns de vocês já ouviram algumas versões ainda embrionárias (nos shows).” comenta Dan H.

Alguns dos títulos das músicas:

- Lay our weapons down (antes chamada de Weapons)
- Scenic route
- Two hands
- Heaven
- Heart
- Boys (Lesson one)
- Headphones on
- Mountain

O Jars não tem novos planos ainda de virem ao Brasil, mas como presente de consolo, eles deram um olá aos fãs brasileiros, no show realizado na cidade de Merrillville, IN, no dia 14 de Dezembro de 2008, agradecendo pelo apoio ao projeto Blood:Water Mission, na caminhada que acontecerá em Brasília, no dia 10 de Janeiro. Confiram o aqui o vídeo e se animarem, vamos caminhar! Esta caminhada também contará com fãs das bandas Sixpence None the Richer e Hanson, ambos apoiadores do Blood:Water Mission e conscientes sobre a caminhada que levantará fundos para auxiliar famílias vítimas da epidemia de AIDS e falta de água limpa, nas comunidades da África.

Juca
Comunidade Fan Club Earthen Vessels
www.bloodwatermission.com

Sixpence None the Richer, formada há 16 anos, dispensa apresentações e getattachmentretrospectivas. Fãs do mundo inteiro, apesar de satisfeitos com os trabalhos solo dos membros da banda, sonhavam com seu retorno, depois de seu final muito lamentado em 2004. Em Novembro de 2007 a banda oficialmente voltou a existência e, sem perder muito tempo, lançou seu novo EP “My Dear Machine”, com 4 canções novas, disponibilizado para download em vários sites pagos e gratuitos.

As especulações em torno do novo perfil da banda não esquentaram, nem se manteriam a mesma linha de som, nem sobre a nova formação, “contanto que continuem juntos por muito tempo”. A verdade é que grande parte dos fãs não se ocupa com o corpo da banda e falar de “Sixpence None the Richer” e da ‘vocalista loirinha’ do clipe de “Kiss me”, para muitos é indiferente.

Além do EP, a banda agendou shows nos EUA e Europa e se manteve ocupada com o já ha muito aguardado, cd natalino, “The Dawn of Grace”. Sixpence já agradava com suas contribuições para projetos especiais, com covers de canções natalinas como “You’re A Mean One, Mr. Grinch” (How the Grinch Stole Christmas), “Christmas time Is Here” (Vince Guaraldi, Peanuts), “Silent Night” (City on a Hill: It’s Christmas Time), “It Came Upon a Midnight Clear” (Maybe This Christmas Too? e A Winter’s Night).

Apesar de ter contribuído com várias músicas em diversos cds diferentes, Sixpence não tinha ainda em seu catálogo, um cd especificamente sazonal (”Wishing for This” da Leigh Nash, não conta como cd do SNTR). Lançar um cd sazonal como o primeiro disco em 4 anos exige audácia. Cds natalinos são uma “alvorada sem graça” de pouca inspiração e sem empolgação, para a grande maioria, considerando-se a distância cultural, ou o grande número de rendições já feitas por vários artistas. “The Dawn of Grace” no entanto, lançado em 14 de Outubro de 2008, com canções tradicionais e 2 canções próprias (”The Last Christmas” e “Christmas for Two”) não se enrubesce mediante esses fatos; 4 anos de espera e um EP muito promissor, só poderiam fazer com que os fãs implorassem pelo lançamento deste cd, como o despertar de um dia após uma noite de vazio e saudade. Estas combinações não exigem, entretanto, que você seja um cristão fundamentalista, nem fã das composições regulares da banda.

Apesar do tema negligenciado, nada mais adequado para um cd natalino, que uma banda de artistas cristãos – correção: artistas cristãos que não negligenciam o tema, cuja arte sobrepuja os números e passa longe do que se conhece sobre músicas tolas de natal. “The Dawn of Grace” supera as comuns folias natalinas, em favor do prazer de ouvir boa música, espiritualidade com embasamento cristão e arte lúgubre dos incontáveis sons gentis de violões, gaitas, violinos (…) usados nas composições, tecidos com a voz delicada, suntuosa e angelical de Leigh, de qualidade fria, serena e etérea, que embalam os ouvidos em um clima escapista. The Dawn of Grace é uma extensão da personalidade da banda, especialmente transmitida por Nash, com textura natalina: graça e doçura consistente, do começo ao fim.

A lista de canções é surpreendente. Apesar dos projetos anteriores, o Sixpence apresentou clássicos que, para muitos, são desconhecidos, mas tanto estes como os mais conhecidos entornam criatividade.

“Angels We Have Heard on High”, escrita originalmente em Francês (“Les Anges dans Nos Campagnes”) e somente traduzida para inglês em 1862, ganha vida na voz de Leigh e abre o cd com o Matt no violão. O quarteto “Love Sponge String” preenche cada verso e ilustra musicalmente a letra.

Matt Slocum é um dos grandes responsáveis pela banda Sixpence None the Richer, além de escrever a maioria das músicas, toca violão, violão cello, piano etc. Antes de formar o SNTR, ele tocava violão na banda Love Coma e atualmente e baixista na banda Astronaut Pushers. Matt ja participou em cds de Julie Miller, Plumb, Wes King, Switchfoot, Hammock, Lost Dogs, The Choir, Dividing the Plunder, Threefold, Brooke Waggoner, Chris Rice entre outros e escreveu “Nervous In the Light of Dawn”, com a Leigh em seu cd solo “Blue on Blue”. “The Last Christmas” foi escrita por Matt e Steve Hindalong, não difere de suas demais letras e nos faz lembrar da Leigh Nash nos primeiros anos da banda. Som e letra envolvem em nostalgia, casando perfeitamente os vocais sólidos e diversificados de Leigh nash, com o violão sombrio de Matt, carrilhão e pandeiro em um único arranjo acústico. O titulo do cd certamente vem desta música.

“When darkness was shattered
The dawn of God’s grace
And the journey’d begun
To the first Easter day”

“O Come, O Come Emmanuel” traz um sentimento triunfante. Difícil falar de Natal, sem evocar um pouco da cultura hebraica. Hino tradicional do século XII, cujo autor e desconhecido, era cantado no estilo antifone (do grego “oposto+voz”), comumente usado em canto gregoriano por coros semi-independentes interagindo, em resposta a um salmo, ou em outro momento de alguma celebração religiosa. A estrutura peculiar espelhada dos salmos hebraicos faz com que sejam provavelmente a origem do estilo, usado nos cultos dos Israelenses anciãos, introduzido posteriormente ao louvor cristão, que e usado até então nas igrejas romanas e é muito comum na tradição musical Anglicana, igrejas ortodoxas gregas e algumas igrejas católicas. Na voz de Leigh Nash e com letra adaptada, não abandona os traços característicos e fala da vinda do Emanuel, termo Hebraico que significa “Deus Conosco”, ecoando outros temas proféticos.

“Rejoice! Rejoice!
Emmanuel shall come to thee, O Israel”

“Silent Night” já deve ter em media uns 200 anos. É  uma música que todo mundo deve conhecer, mas o cd traz esta surpresa, que e a participação do vocalista Dan Haseltine, do Jars of Clay e amigo da banda (prometo não falar muito eheh). Duetos de Leigh Nash e Dan sempre foram um deleite a parte, repito, diferentes dos duetos intencionalmente comoventes no meio cristão! Fiquei muito feliz com esta contribuição própria do Dan em “Silent Night”, pois ela já foi regravada milhões de vezes e acabou banalizada. Dan escreveu a letra que ele canta, alternando com os versos clássicos cantados por Leigh.

“Além disso, Dan Haseltine do grupo Jars of Clay deve ser mencionado como um destaque. Sua contribuição com a letra para “Silent Night”, cantando em resposta a letra original, deu a esta música, uma nova vida (…)” Leigh and Matt.

Com a participação de Dan fazendo um “olho no olho” com Leigh, a banda salvou esta música de ser um projeto falido. Instrumentalmente, usaram aqui os triviais, além de sintetizadores, cordas de aço e percussão.

“Riu, Riu, Riu”, de meados do século XVI, é um hino antigo em espanhol que fala do cuidado de Deus com Maria, que haveria de conceber o filho de Deus, para redenção dos homens. O quarteto volta nesta faixa e na próxima.

“Riu, riu chiu, la guarda ribera”

“Carol of the Bells” parece continuar na mesma veia de “Riu, Riu, Riu”, cheia de sinos, lembra trilhas de filmes natalinos em cenas de aventuras, talvez a mais preenchida com sons característicos e a menos interessante do cd.

“Christmas Island” apesar de excessivamente sentimental e florida, este é o momento “retro-Brodway cruzeiro” do cd. Tropicaliedade não tem muito a ver com Natal, mas deu certo nesta faixa, que encanta com a percussão embriagada, gaita country, conchas, num conjunto sensacional.

“River” é provavelmente uma das músicas relacionadas ao natal mais depressiva que existe. O cd solo de natal “Wishing for this” da Leigh Nash, de 2006, teve “Hard Candy Christmas” como uma das faixas mais depressivas do cd (que eu amo), de Dolly Parton. Neste cd, “River” faz jus a versão original de cortar os pulsos de Joni Mitchell, considerada pela revista “Rolling Stones Magazine”, como uma das melhores compositoras que já existiu. A Leigh tem este estilo estrambótico de emocionar em músicas mais suaves, o que não é simples, mas ela faz com empenho por igual na musica inteira, simplesmente deixando a voz sair. O monólogo soa frustrante com o que acontece em volta e um rio seria um escape perfeito. A confissão de auto-honestidade conduz a um dos momentos mais tocantes da música:

“Sou muito difícil de lidar
Sou egoísta e estou triste
Fui muito longe e perdi o maior amor
que eu já tive”

Apesar de não soar como uma música de natal, esta é uma das mais lindas do cd, com uma atmosfera triste, brilhante, utilizando entre outros, sintetizadores, sinos, xilofone de metal etc. O tempero nesta música e um pedacinho de “Jingle Bells”.

“Christmas for Two” foi escrita pela Leigh Nash e Kate York, enfeitada com violões, carrilhão, assobios presenteados por Kate York, barulhinhos aleatórios de sinos e tema romântico, sobre nada mais que envolve o natal importar tanto quanto passar este tempo ao lado de quem se quer bem.

“Some Children See Him” fecha o cd de forma pensativa, sobre como cada criança, em cada lugar diferente no mundo, tem uma idéia diferente do rosto de Deus. Música obscura dos anos 50, escrita por Alfred Burt. Um violão ambiente, um violão Cello, momentos em que Leigh parece cantar quase que sem acompanhamento nenhum … compasso uniforme nos convida a deixarmos de lado o que não importa e oferecermos nossos corações como oferta a Deus.

“O lay aside each earthly thing
and with thy heart as offering,
come worship now the infant King.
‘Tis love that’s born tonight!”

Quero falar da capa antes de encerrar. não gostei da capa ser a mesma capa do cd “Divine Discontent”, lançado no Japão. Recortaram o Matt e a Leigh e colocaram em um fundo natalino. Os recortes não foram bem feitos, além da foto ter perdido muita qualidade, nota-se no Matt. Cds natalinos precisam ter uma boa capa, que comuniquem a qualidade do conteúdo que eles trazem, esta capa alcança este objetivo, pois e inegável que e a Leigh Nash na capa, mas o Matt nem tanto. A idéia da faixa vermelha é o que salva, na parte de trás do encarte e na contra-capa do cd, o resultado e bem melhor. não tem letras, são apenas 3 páginas dobradas, interior todo em vermelho, com informações técnicas sobre cada musica escritas em letras brancas bem pequenas. não tem agradecimentos, nem outros detalhes, o encarte parece ter sido feito as pressas.

Finalizando, “The Dawn of Grace” não e mais um cd de Natal, nem mais um presente qualquer de natal, ele soma pontos para um natal adorável, apesar de melancólico (eu gosto disso). E mais uma demonstração do talento do Sixpence None the Richer, cujos trabalhos são sempre muito notáveis.

Por Juca de Barro

vdd-sobre-crisSe você gosta de ciência – principalmente física – vai gostar de ler esse livro. O autor Dinesh D’Souza fala sobre ateísmo e cristianismo, buscando esclarecer os pontos contraditórios que muitos ateístas acusam o cristianismo.

O primeiro deles é o fato de afirmarem que o cristianismo está morrendo. Logo de cara o autor já coloca uma enxurrada de números de pesquisas sobre o aumento do cristianismo em vários países, incluindo o Brasil, e como têm aumentado o número de cristãos (principalmente evangélicos) no mundo. E mais informações interessantes que podemos perceber no nosso dia-a-dia como, por exemplo, o aumento de pastores africanos que hoje rodam o mundo pregando e a mudança do cristianismo, que começa a ser mais “avivado” ou então mais explosivo do que antigamente.

Um livro bem científico e religioso, mas é muito claro quando procura, pôr estas duas questões lado a lado. Percebe-se, então, que a religião não buscava ser contra a ciência e nem a ciência contra a religião, é o homem que tentar usar a ciência pra desmentir a igreja.

É interessante em alguns aspectos da física e da forma do universo como se encaixa na perfeição e no design perfeito e a relação que cada um tem com outro organismo.

Apesar do ateísmo se tornar mais conhecido devido a um vasto numero de livros publicados e autores já se consagrando em seu meio, criando novas teorias, o cristianismo continua com um crescimento bem maior que outras religiões.

Nossa época, segundo o autor, é um tempo de renascimento das religiões em todo o mundo. O secularismo está diminuindo e a tendência, é estarmos cada vez mais fundamentados nas religiões. O secularismo, segundo Dinesh, só é forte na Europa, onde hoje somente 10% dos freqüentadores de igrejas são freqüentadores regulares.

Ao contrario da Europa, a África se mostra em um crescimento inabalável. Junto com América do Sul e Central o número de adeptos ao cristianismo cresce a cada dia. No Brasil, as igrejas pentecostais são as mais procuradas e as que mais convertem pessoas. Atualmente, cita o autor, há cerca de 50 milhões de brasileiros protestantes, enquanto há poucas décadas atrás o número era tão baixo que não se conseguia contá-los. Já na África, o número de cristãos já chega a 50% de toda a população do continente e falta igrejas para alojar todos os fiéis. Estes dados o autor utiliza para mostrar como o cristianismo está cada vez mais forte, contrariando as predições dos ateístas que diziam que as religiões iriam morrer.

A partir desses dados que Dinesh começa seu livro. Neste ponto o autor começa a mostrar suas idéias, baseando fatos históricos e vários autores, teólogos e cientistas, a falar das áreas mais usadas pelos ateístas sobre a inexistência de Deus: ciência, filosofia, evolução e, até mesmo, moralidade.

O autor toca em pontos importantes e não foge dos temas polêmicos, como a teoria da evolução de Darwin, onde afirma que, ao contrario do que afirma, ela não só comprova a existência de Deus, como também a perfeição de sua criação.

Com argumentos bem elaborados e fundamentados, o autor consegue falar de ciência de forma clara, mesclando religião com física de modo preciso, mostrando que a ciência acaba comprovando a fé cristã com seus estudos.

Tudo isso é usado por Dinesh para, aos poucos, chegar ao ponto principal de seu livro: o próprio ser humano e suas convicções e dúvidas sobre fé e sobrenatural, conceitos já formados e pensamentos acerca da ciência. Seu objetivo não é só falar sobre o que busca o cristianismo ou cobre os equívocos do ateísmo, mas sim como você – leitor, ser humano com idéias e pensamentos – vê a ciência e a fé. Seu objetivo é fazer o leitor pensar e se questionar: “eu creio neste cristianismo? É esta a fé que sigo?”.

Se estas ainda são dúvidas que pairam em sua mente às vezes, é uma boa pedida ler “a verdade sobre o cristianismo“.

Para comprar o livro, clique aqui.

Histórias de Mulheres

hmO ser humano sempre educou homens e mulheres baseados nas diferenças entre ambos. Isso nas tarefas, em força física e hierarquia. Na maioria dos conceitos, a mulher esteve abaixo de todos os quesitos por ser considerada fraca ou por ideologias que a colocam abaixo do homem. Quando e como isso se tornou uma regra, ninguém sabe dizer, mas as conseqüências disso são vistas ainda na sociedade atual.

Porém algumas mulheres conseguiram quebrar paradigmas. Lutaram por sua independência e auto-realização. Algumas se moldaram às regras da época para conseguir isso, outras já deram sua cara a tapa e não se importaram de serem mal vistas pela sociedade por isso.

E foi em algumas mulheres de fibras que a jornalista espanhola Rosa Montero usou como exemplo em seu livro. Histórias de Mulheres, é uma breve biografia sobre figuras importantes da cultura ocidental e o que passaram quando resolveram ser diferentes ao que a época exigia de mulheres.

O livro, que começou como uma coletânea de artigos para o jornal espanhol El País, não relata somente as histórias de mulheres que fizeram grandes feitos, algumas sequer são conhecidas do grande público (como a mãe da grande escritora Mary Shelley, criadora de Frankenstein) ou lembradas mais como esposa de alguém como de seus grandes feitos (como Zenobia Camprubi).

A autora faz uma coletânea de biografias contrastantes, mas que no fim percebemos que possuem pontos semelhantes, seja pelas conturbadas famílias, ou vidas sofridas por perdas ou problemas financeiros. Mas não só de heroínas que Rosa Montero fala, pelo contrário, algumas possuem vidas que servem de exemplo, outras, eram verdadeiras vilãs, antagonistas e algozes para àqueles que entravam em seus caminhos, como Simone de Beauvoir, que não se importava com o que os amantes ou qualquer outro estudioso pensasse: a seu ver ela e Jean Paul Sartre, seu amigo e companheiro fiel, estavam acima de tudo e de todos.

As personalidades escolhidas mostram uma vida que tocam na alma do leitor e o modo como a autora narra nos faz viajar em busca de mais informação sobre elas ou, pelo menos, relembrar seus trabalhos. Podemos sentir as obras delas revivendo quando lemos cada capitulo e percebemos como elas viviam seus personagens ou obras.
Uma delas, Agatha Christie, desapareceu misteriosamente certa vez e perdeu a memória. Muitos acreditavam que a rainha do crime (como era chamada) estava em busca de vender mais livros, mas depois de percebermos como o dia do desaparecimento foi doloroso (a morte da mãe, os problema conjugais) percebemos como uma fortaleza como Christie se mostrava, também era frágil e podia se quebrar.

Ao se falar nas irmãs Brontë (autoras de clássicos, como O Morro dos Ventos Uivantes e Jane Eyre) notamos que as adversidades que passaram estão nos seus livros (Jane Eyre relata de forma bem próxima a morte de uma personagem bem próxima da forma como as irmãs de Charlotte, a autora, faleceram quando crianças). Outro ponto chocante é saber que livros clássicos como estes, foram publicados com nomes masculinos, pois na época, mulheres não eram bem vistas como autoras. A autora ainda relata que um famoso poeta da época mandou uma delas parar de fazer poesia e utilizar seu tempo em algo produtivo para as mulheres.

Ingredientes variados são encontrados nas vidas de cada uma das quinze mulheres escolhidas – e mais alguns outros nomes lembrados com freqüência – e mostra ao leitor diferenças de vidas culturais e comportamentais ligados à época e local onde elas viveram, mas também que muitos problemas que as mulheres passam não estão ligados a um local somente, trazendo ao leitor informações interessantes.

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Jars Of Clay – EP Closer

O Jars of Clay lançou seu último CD de estúdio em Setembro de 2006 (Good Monsters), o qual dividiu ainda 8jcd14mais opiniões de fãs e críticos, mas antes de seu próximo lançamento, a banda não se envolveu apenas com turnês insanas, projetos pessoais em áreas necessitadas da África (”1000 Wells Project” da Blood:Water Mission), lançamento de livros e família.

A curiosidade dos fãs já aumentava desde o lançamento do estiloso cover de “Drive”, original da banda The Cars. Ainda sem tomar fôlego, junto com a turnê Good Monsters, duas versões do EP Live Monsters foram lançadas, a primeira extinta (trazia Love me ao vivo, antes apenas disponível no iTunes e sua versão de estúdio) e outra ainda disponível em seu site, com a diferença de 2 faixas substitutivas. Por detrás das cortinas, a banda trabalhava em um projeto do programa de TV infantil “Come on Over“, com duas faixas em seu segundo CD: “I Love My Triangle” e “When you’re with your band”, cujos clips estão disponíveis no Youtube, que não poderiam ser usados para parametrizar um possível estilo de som, para dar seqüência a Good Monsters. Neste meio tempo, já se ouviam rumores do encerramento do contrato da banda com sua primeira e até então única gravadora, Essential, o que era certo que seria como sal na boca dos fãs, com sede por criatividade puramente jarsofclayana, sem os limites impostos pela gravadora durante os longos anos de contrato. Finalmente, a banda começou a atuar com seu próprio selo: “Gray Matters”, com apoio da Nettwerk Music Group  e distribuição pelo sistema Provident/Integrity, tanto para revendedores cristãos como para o mercado geral.  O primeiro trabalho desta nova junção chegou às lojas em Outubro 2007, seu amplamente aguardado álbum de Natal, Christmas Songs. “Enquanto seguimos com o objetivo de fazer mais música, sendo criativos de várias maneiras, Gray Matters poderá facilitar quaisquer idéias a que desejemos dar vida,” observa Dan Haseltine.

Esta será uma ótima maneira de trazermos mais arte e música à existência. Podemos colaborar com novos artistas e executar idéias que antes pareciam ficar ‘presas’ no atoleiro da tradicional gravadora, assim poderemos nos certificar de que estes projetos terão uma chance de serem ouvidos. Este é o começo de uma estação bastante criativa. Gray Matters será uma maneira fantástica de compartilharmos nossa filosofia artística, podendo dar a outros artistas e pensadores criativos, uma porta para suas idéias.”

Christmas Songs é o primeiro passo em seu desabrochar e os caras se sentiram bastante livres, dando aos fãs o cd de Natal que eles esperaram por anos”, comentou o gerente da Nettwerk, Michael Corcoran.

Causando uma ‘organizada confusão’ de nomes na cabeça do público, duas coletâneas também estavam por chegar às lojas. A primeira coletânea “The Essential Jars of Clay”, 2 discos com lista abrangente de faixas comuns e raridades, lançada em Setembro de 2007, muito merecida e honrosamente dedicada à banda, colocou o JoC como a primeira banda cristã a receber um álbum da série “Essential Music” da Sony BMG’s, pela Legacy Recordings (aqueles de capa preta e branca igual para todos os cds da série). Em Abril de 2008, a segunda coletânea “The Jars of Clay Greatest Hits” (um disco) foi lançada pela ex-gravadora, com uma lista seleta (porém não-satisfatória) de jóias da banda, que demonstrou ser apenas um cumprimento de contrato da gravadora, sem compromisso com a banda, sem dar a ela e aos fãs o merecido cd de melhores hits de sua carreira. O cd deixou de lado vários dos grandes hits, mas trouxe faixas re-masterizadas e uma canção nova, “Love is the Protest” (disponível no Youtube), que já podia ser conferida nos shows da turnê desde o início deste ano. Segundo Dan Haseltine, o conceito original do cd havia mudado e nenhuma das faixas extra, raridades, remixes etc faria parte do cd, “portanto, o cd é simplesmente o que ele implica ser e nada mais que isso“. A banda, que teve influência em sua elaboração, declara que ficou satisfeita com o cd e que sua expectativa estava bem alta, pois o cd soa bem aos ouvidos, da maneira como as faixas foram dispostas. Em resumo, o cd duplo da Sony faz mais jus à carreira da banda, que o cd da ex-gravadora e serve melhor como forma de introduzir a banda a novos ouvintes, porém “The JoC Greatest Hits” não deixa de ser um item importante no catálogo.

Não bastavam todos os projetos da banda, casados com seus esforços na África, a banda criava neste período a trilha sonora do documentário “Sons of Lwala“, com uma faixa original para o documentário, chamada “Prisoner of Hope”, que seria futuramente lançada no iTunes, com toda renda revertida para ajudar a clínica em Lwala, de que fala o documentário. “Queríamos muito trabalhar neste projeto e isto significou que muita coisa tinha que estar envolvida. Literalmente, separamos 5 ou 6 dias de nosso verão, quando poderíamos entrar de cara nisto e trabalhar no projeto. Como eu disse, isto ocupou bastante nosso verão, mas valeu a pena. Adoramos a história e foi muito divertido fazer algo diferente. Fazer a trilha de um filme é uma experiência musical diferente, é uma área legal e criativa e acho que foi um trabalho gratificante para nós.” diz Charlie. O documentário já foi lançado e “Prisoner of Hope” está no próximo EP da banda, Closer, que foi lançado digitalmente no iTunes no dia 5 de Agosto e nas lojas, no dia 19 de Agosto.

Para nós brasileiro, um fato marcante sobre a banda em 2008, foi o cancelamento dos shows com datas previstas, porém sem locais confirmados, devido a complicações que surgiram no agenciamento de viagem e produção, por parte do Brasil. A concretização dos shows de fato nunca ficou clara com a banda, nem em suas tentativas anteriores, apesar do desejo e esforços da banda para tocarem no Brasil. Os demais países propostos para a turnê internacional foram atendidos com sucesso. Segundo Dan, mesmo sabendo que esta situação prejudica muito a banda, o que lamentam muito, eles continuarão se empenhando em busca de oportunidades para tocarem aqui, cabe a nós sermos compreensivos e fazermos melhor a nossa parte.

Quando interrogado sobre a perceptível metamorfose da banda de cd para cd, porém mais presente em Good Monsters e sobre os planos para o futuro, Charlie responde, “Acredito que é aí que Good Monsters representa um álbum pivot em termos de letra, provavelmente mais em termos de letra do que quanto à música em si. Isto é interessante para que sejamos capazes de explorar diferentes texturas e nos conectar com diferentes tipos de arranjos musicais. Porém, quanto à letra, isto constitui uma nova forma de se conectar e se identificar com as pessoas. Eu posso afirmar que isto não é apenas algo temporário. Mas é uma forma de seguir adiante, se é que isto faz sentido.”

Depois deste flash-back, meu foco será portanto o “seguir adiante”, ou melhor “seguindo adiante”, pois a banda tem planos de lançar o próximo cd de estúdio e segundo pela Gray Matters, apenas em Março de 2009, mas não vai deixar os fãs aguardando algo novo por tanto tempo assim. Podemos dizer que no mês que vem teremos um “senhor-tapa-buraco”, pois o mini-cd “Closer” terá muito a dizer sobre como o Jars of Clay vem se esticando musicalmente, e continuará neste laboratório criativo até o lançamento do cd em si, em 2009. A banda está trabalhando com o reputado Ron Aniello (Lifehouse, Guster, Barenaked Ladies, Madonna etc), que está dando acabamento no novo cd.

O JoC não deu folga, desde o início deste mês eles vêm dando pitadas de boas notícias, com fotos no blog, lançamento da faixa “Closer” no iTunes no dia 8 de Julho, anúncios do lançamento do EP Closer, cuja faixa título também já pode ser ouvida inteira no Myspace da banda. Mas o Steve sabia bem o que dizia quando disse “o melhor ainda está por vir.”

Closer vai trazer duas canções novinhas em folha (”Closer” e “Safe To Land”) que eventualmente serão incluídas no novo cd, além de novas versões de duas das faixas prediletas dos fãs “Flood” e “Love Song For A Savior.” “Prisoner of Hope”, conforme dito acima, também estará no EP. Logo o track-list:

1) Closer
2) Safe To Land
3) Love Song For A Savior 08
4) Flood (New Rain)
5) Prisoner of Hope (gravada para o documentário “Sons of Lwala”).

Juntamente com o lançamento de Closer, está nos planos da banda a turnê “Music Builds Tour“,  iniciando em Agosto, indo até Outubro.

Closer

Closer é uma música que mexe no fundo, pois a letra dá uma impressão inicial de ser ilusória demais, em sua simplicidade. Porém sabemos que o Dan escreve letras criteriosas e poéticas, logo dizer que ele escreveu algo simplista ou inferior é uma conclusão incorreta. A letra discorre sobre a tentativa desesperada de alguém de comunicar um sentimento esmagador, porém ele luta para encontrar as palavras certas condutoras deste sentimento, portanto acabam sendo palavras de um homem comum – o tipo de pessoa que não consegue articular poeticamente seus sentimentos e, em vez disso, solta uma cadeia de palavras, metáforas e fantasias mal elaboradas:

“Você é as lágrimas, eu sou a maça do rosto
Sou um balde em seu barco com vazamentos
em alto mar por semanas”

Se pensarmos que a definição de fantasia é uma combinação de imagens soltas, das quais temos que dar uma similitude quando estamos em estado consciente, logo as figuras de linguagem começam a fazer um pouco mais de sentido – a letra pode ser entendida como algo que se aproxima de caminhos confusos indiretos, para completar a criatividade do autor, tentando se aproximar do tema de isolação que a música parece lidar: “quero as linhas de sua pipa entrelaçadas em minhas árvores, totalmente enroladas” (o que explicaria o desenho da capa).

Ainda sobre a letra, Closer fala sobre a luta ineficaz para articular a idéia de ter sido feito para outra pessoa, porém o resultado acaba sendo algo peculiar e estranho, tentando encontrar as metáforas poéticas corretas:

“Você é o tic-tac, eu sou a bomba
Você é o “L” e o “V”
(L-O-V-E)
Eu sou o “O” e o “E”
Estou sendo claro?”

Os elementos dos anos 80 contidos em Closer emprestam à canção uma qualidade do romantismo, apesar de que isto não constitui uma experimentação por parte da banda, mais do que a incorporação de elementos musicais já existentes, que a banda ainda não tenha utilizado de modo oficial. (vale lembrar que ‘Drive’ representou muito mais esta experimentação no sentido que ela carregou o som de volta aos elementos dos anos 80 e o aproximou de uma programação rítmica minimal, porém ‘Drive’ claramente nunca foi proposta para tocar nas rádios, enquanto Closer poderia facilmente se emplacar com seu estilo híbrido 80’s/rock/eletrônico, atualmente popular). Não culpo a banda por experimentar este som para crescimento – é preciso antes de tudo estender-se sobre a linha entre o que é cultura popular e permanecer fiel aos seus próprios valores e ideais, para se criar arte do ponto de vista significativo – foi por isso que ‘Flood’ foi e ainda é um sucesso. Além desta resposta mais crítica à música, Closer é bastante diferente, tanto na letra como no som, mas não se trata do tipo de rock em que a banda apenas aumenta as guitarras no máximo e tenta se divertir, este tipo de música perde em sofisticação, falta uma certa dimensão emocional, de certa forma necessária na música. ‘Closer’ tem este contexto emocional que canções como ‘Revolution’ não têm. Closer consegue ser descentralizada o bastante para fazer com que ela se destaque, mesmo assim é familiar o bastante para não se tornar alienada demais. A progressão do coro é bem carregada, garantindo este vigor emocional, com introdução das guitarras ao fundo, em vez de ter uma energia simplesmente musical, à qual a letra tem que ser aplicada por necessidade.

Safe to Land” descreve alguém voando solitário em céus escuros de um relacionamento conturbado, empenhando-se para encontrar um lugar de reconciliação para pousar. Os elementos de dúvida, dor e confusão são ventos que a pequena aeronave tem que enfrentar para não colidir. Esta música parece com um sonho: atmosférico, etéreo, quase surrealista.

A estrutura não segue a forma estrofe+ponte+coro e se parece mais com uma efusão de corrente de melodias e pensamentos num “diálogo interior”. O final é uma determinação de permanecer lutando para continuarem juntos até um final doloroso. “Não desceremos, mesmo se as coisas piorarem.” Este verso não é algo que se possa chamar de cativante, mas possui um senso de gravidade emotiva que te envolve. Pianos e sons elaborados com sintetizador se desenvolvem em violões e guitarras, preenchidos como baterias e baixos.

Não há muito o que comentar sobre “Love song for a Savior”. Esta versão na verdade não é tão diferente da versão de Furthermore, apenas os backs variam bastante, mais preenchidos, mais bem definidos e há uma nova tecnologia presente, claro. Começam com um coro accapella, então entram violões mais nítidos, mágicos, palmas como percussão. A qualidade de produção geral e de som é notável. Usam também o sintetizador de fundo e no final retomam o acústico, antes de uma sucessão de “I want to fall” como back, costurada com melodias variadas do Dan.

Flood (New Rain)” também não teve nada incrivelmente diferente, porém é uma versão bastante original, mesmo não sendo fácil fazer várias versões de uma mesma música e assim mesmo ter algo novo ou muito especial. Esta começa com uma introdução breve usando sons mais misteriosos de sintetizador e já cantam o primeiro verso. Os violões são menos encorpados durante as estrofes. O coro é que ficou mais diferente, principalmente a progressão nos acordes. Usam muito o baixo e guitarras que soam distorcidas (me faz lembrar algumas trilhas de jogos). A melodia é a mesma em partes, mas a produção no todo está muito melhor. Vocais mais nítidos, menos “alternativo anos 90″ no tom e o Dan prolonga e projeta muito mais sua voz, não intercepta imediatamente a cada verso, incrementando mais este estado de atualidade da música, o que a deixa bem mais contemporânea. Entre estrofes e coro, solos instrumentais com sintetizador enfeitam o conjunto.

Prisoner of Hope“, do documentário Sons of Lwala lembra algo como uma mensagem de Deus ao oprimido, para não desistir do amor e perseverança no meio do sofrimento.

“Fique perto de mim
À sombra de minhas asas, à sombra de minhas asas,
Ainda que as águas estejam envenenadas e suas feridas sejam tudo que consegue sentir
há música em seu redor e as promessas são reais”

Não há tanta variação e o coro, cantado repetidas vezes, toma quase metade da música. Os back-vocais são profundos e soam como almas cantando, fantasmas que estão bem próximos e presentes e não intangíveis, em algum lugar nas nuvens ou debaixo d’água. É uma faixa abismal, como correr numa grande e densa floresta com a luz da lua dançando no chão, ou como estar à beira da morte, poucos minutos antes de seguir adiante. A letra é sobre esperança, mas a melodia e a música capturam um senso de melancolia.

Claro, tem muito mais a observar no CD novo (2009), este é só um esboço do que está por vir. Talvez haverá músicas que trarão um pouco do antigo molde dos Vasos de Barro, mas estas novas músicas podem ser uma indicação do que o cd completo será. Em geral, o som é mais sombrio, eletrônico e quase alucinógeno. É uma mudança monumental desde Work, Good Monsters, Dead Man? Oh My God, Surprise, There is a river? Ainda ouvimos os violões, porém mesmo os violões que soam familiar, têm um som estrangeiro, dando um acabamento em cada faixa e os pianos acrescentaram uma atmosfera interessante.

Esta não pode ser vista como evolução da banda, talvez uma re-criação. Categorizar apenas como um afastamento do que fizeram no passado seria uma declaração banalizadora, pouco elaborada. Como é de esperar, a banda está oferecendo algo novo de si, a se analisar cuidadosamente em seu próprio estado isolado, sem comparações. O JoC tem feito sucesso até hoje, por serem tão bons no que fazem, não importando se o estilo musical já existia até certo ponto. Eles conseguem re-interpretar estilos de forma tão confidente e competente que chega a soar pioneiro. Eles nunca trabalharam algo que já não fosse popular para época em que o cd associado foi lançado, logo não estão se esforçando para reavivar estilos, ou propor algo nunca inventado, mas é a maneira como eles recriam estilos que os confere esta marca particular, que é algo divisório, como sempre pareceu ser desde, digamos, Much Afraid.

Parabéns sempre para JoC por ampliar cada vez mais sua experiência, sempre únicos, inesperados e estimuladores do pensamento.

Espere por boa música, nova e interessante.

 Ouça agora Safe To Land, uma das canções desse cd.

Juca-de-barro
Earthen Vessels

As Memórias do Livro

hagadaCom um título sugestivo, “As Memórias do Livro” parece soar estranho à primeira vista, mas traduz exatamente seu conteúdo: é um livro que conta a história de outro livro.

Este é o quinto livro da autora, a jornalista do Washington Post, Geraldine Brooks e já se tornou um best-seller. A autora usou  uma pitada de ficção para relatar os caminhos percorridos por um livro conhecido como a “Hagadá de Sarajevo”, de alguns daqueles que tentaram destruí-la e também de outros que, com sucesso salvaram-na nos últimos séculos.
 
Quem conta a história é a fictícia personagem Hanna, uma australiana contratada pela ONU para trabalhar na restauração e preparação do livro para ser apresentado ao público. A cada página, a personagem encontra pistas, que posteriormente darão inicio de onde e com quem o manuscrito esteve quando foram parar no livro, relatando todo o percurso, problemas e personagens (alguns deles reais) que colaboraram (ou não) para que o manuscrito chegasse daquela forma ao local onde está.
 
O ponto mais alto do livro é mostrar um lado talvez esquecido, ou melhor, ignorado, por muitos de nós, fatos que esclarecem o passado e põe à tona verdades um tanto desconhecido pela maioria: a perseguição dos judeus, que começa com a Inquisição feita pela Igreja Católica (bem antes do que muitos se recordam e com conseqüências talvez tão grandes como feitas por Hitler) e chega ao cume com os nazistas. Fala também sobre as questões entre mulçumanos e judeus, que mostrou compaixão e respeito por esse povo no decorrer dos séculos.

“As Memórias do Livro” retrata os momentos delicados no mundo para o povo judeu, colocando em evidência épocas desesperadoras, sem terra, sem país, vivendo em um local onde eram perseguidos por sua crença, considerados “assassinos de Jesus”. Ao mesmo tempo mostra outro lado pouco mencionado, quem estendeu a mão, deu abrigo e liberdade religiosa: os mulçumanos. Esses dos quais são os principais heróis de “As Memórias do Livro”, já que por diversas vezes, encararam o perigo para que a Hagadá de Sarajevo não fosse para a fogueira.

É interessante explicar sobre o manuscrito que deu origem ao livro: Hagadá é um manuscrito judaico que relata a escravidão e a saída dos hebreus do Egito descrita no livro de Êxodo, acrescido de orações e Salmos. É um manuscrito usado nas celebrações da páscoa utilizado por diversas famílias judaicas, para facilitar em uma das leis instituídas por Deus: “E contarás a teu filho, naquele dia, dizendo: por causa do que o Senhor fez por mim, quando saí do Egito” (Êxodo 13:8).
 
A Hagadá de Sarajevo foi criada para ser um presente de casamento. Foi produzida na Espanha, durante o reino de Aragão, é decorado com ouro e bronze e cores vivas. Tornou-se especial por possuir peculiaridades, dentre elas ilustrações que não são comuns nos livros judaicos, que costumam seguir ao mandamento que proíbe imagens esculturas.

No século XV, a Hagadá sai da Espanha junto com a família que a possuía e que foram expulsos, junto com os demais judeus, pela Inquisição espanhola. Os judeus espanhóis se refugiaram nas áreas do Império turco-otomano dominada pelos mulçumanos. Chegou à cidade de Sarajevo, capital da Bósnia, no século XVI, levada pela família a quem pertencia, os Cohen, que vendeu o manuscrito séculos depois para o Museu Nacional da Bósnia devido a problemas financeiros.

Desde então a Hagadá de Sarajevo passou por guerras e conflitos armados grandes naquela região, como I e II Guerra Mundial e a guerra civil da Iugoslávia, as duas últimas, salvas por mulçumanos, que mostraram assim o respeito que possuem por outras religiões, ação contrária ao que o cristianismo tem mostrado desde sua criação.

Com uma história como essa, o livro de Geraldine Brooks se torna fascinante, nos ensina mais sobre a cultura e história de um povo muito comentado, mas que só conhecemos nos tempos de Moisés e Jesus, mas ainda continua a criar história. De seus ritos e cultura, e principalmente, os motivos de ações e conflitos atuais, são bem diferentes dos que pensamos ser.

Mais informações sobre o livro, clique aqui.

Para saber mais sobre a hagadá de Sarajevo, visite o site da revista Morasha.

Para Comprar, clique aqui.

Texto escrito em junho de 2008.